sábado, 26 de fevereiro de 2011

A imperfeição


tento escrever, porque escrever faz me bem há alma, faz me bem ao humor. queria ter o dom de Camões e escrever uma epopeia de oitavas e decassílabos, uma epopeia quase perfeita como diz a minha stora de português. mas não dá, tento invocar as musas para me inspirarem e tento dedicar a alguém para que assim tenha um tema, tento começar in media res, mas nem um principio tenho. tento escrever em inglês, em português ate em chinês, tento pequenas palavras para fazer pequenas frases, para construir pequenos textos, mas nem uma letra consigo pôr, pois no meio de 23 letras não me consigo decidir qual a mais indicada para começar a minha humilde epopeia. tento perceber como é que alguém teve inspiração suficiente para escrever mais de mil e tal estrofes, se eu nem uma pequena frase consigo, nem uma rima.

estou desinspirada e preciso, preciso de um motivo para escrever, preciso de razoes, preciso de uma historia, preciso de letras e frases e textos, preciso de escrever e apagar, preciso de fotos, recordações para chorar e escrever, preciso de sorrisos e parvoíces para sorrir e escrever, preciso da musica ideal, preciso dum mundo que precise que eu escreva, preciso de alguém que leia as minhas pequenas historias, os meus simples era uma vez, preciso de alguém que diga desiste, escrever não e contigo, preciso de Camões vivo para me dizer qual é o segredo, preciso das suas musas, das suas dedicatórias, das suas historias para escrever. leio e releio este texto, e reparo que só quero e quero, mas que nada dou, mas que nada faço, mas que simplesmente fico a olhar a espera, que algo aconteça. quero saber, quero saber o que os grandes escritores sabiam, quero ter a inspiração que os grandes tinham, será que é preciso recuar a era do nada, para conseguir fazer tudo? será que é preciso recuar a era da ignorância para ter a sensação que já se sabe mais? ou será que é preciso não ter nada para perceber o quão importantes somos neste pequeno mundo? pequenas questões, grandes respostas.

às vezes penso, eu preciso de ter tudo para ser feliz, mas ao ter tudo eu não tenho nada, porque acabo por perder tudo, tudo que me faz realmente falta, porque aquilo que não faz é mais magnifico, é mais perfeito, e esqueço me que a imperfeição e a melhor perfeição que alguma vez poderá existir.

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