sexta-feira, 13 de maio de 2011
Sossegada e adormecida
ela, sossegada e adormecida, na sua poltrona, disfarça a magoa que tem dentro dela, disfarça as lágrimas que há tanto deseja derramar. no fundo do coração guarda aquilo que de melhor teve, porque há sua superfície tem aquilo que mais a incomoda. tenta acalmar os outros que ao pé dela estão, para que nada suspeitem daquilo que brevemente iria acontecer.
sente tanta dor, tanta magoa, as lágrimas são tantas que se sente como num mar, sem avistar terra. pensa, pensa, pensa, na sua poltrona, sossegada e adormecida. acha que o suicídio é a melhor forma porque pensa que irá encontrar paz mas depois, abre os olhos e vê, vê a sua família que tanto a ama, e que sem ela jamais poderiam viver. não percebe, sente se confusa. olha para cada um dos lados e desvenda as consequências, mas também as partes boas. então exclama com os seus profundos olhos azuis que viver é a sua determinação, que viver é o seu objectivo e que jamais poderia ser egoísta ao ponto de deixar quem tanto a ama, quem tanto a deseja, quem jamais saberia viver sem ela. pensa, e volta a adormecer. sossegada mas não completamente adormecida, porque diz que dormir é perca de vida, e perca de tempo. exausta porque não dorme mas feliz porque quer viver.
enquanto olha para sua família e com um papel e pena escreve, cada movimento, cada olhar, cada sorriso, cada magoa, cada sofrimento pois mais tarde saberá que aquilo lhe permitiu esquecer. esquecer a sua dor, esquecer a sua morte. agora sabe, agora sente, agora mostra e não finge. que o seu sorriso, que o seu olhar e que a sua felicidade não são fingimentos , são pura realidade dos seus sentimentos pela vida.
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