sábado, 24 de setembro de 2011
O jardim da vida
hoje decidi ir passear, dar uma volta, descontrair um bocado. quando vinha a passar por um belo jardim, reparei num homem. parecia um idoso sem-abrigo ali sentado no banco de jardim, com roupas muito velhas e deslavadas, com a barba por fazer e um cheiro horrível. olhei bem para ele e reparei que tinha um ar um pouco cansado, com os olhos semicerrados e pronto para dormir uma pequena sesta. passei por ele por volta das 14h da tarde mas não parei, queria continuar o meu passeio que estava a ser muito agradável. virei costas ao velho e dei mais umas voltas pelo parque, vi crianças a andar de baloiço ou a descer no escorrega, vi pessoas a conversarem umas com as outras, no fundo, tudo estava a conviver alegremente, sem qualquer preocupação.
quando decidi voltar para trás pois já se fazia tarde, encontrei o mesmo senhor sentado no mesmo banco e com o mesmo ar sonolento. "mas que raio?" pensei eu, "ainda aqui está o mesmo sem-abrigo de à bocado?". o facto é que já passavam das 18h30 e o mesmo homem ainda ali permanecia, do mesmo jeito, parecia não se mover, parecia não querer sequer piscar os olhos, parecia de certo modo, morto. mas morto? um idoso sentado num banco de jardim, morto? nada estava a bater certo então, como não queria acreditar no que via, decidi dizer-lhe um simples "olá" para tirar todas as duvidas que rondavam o meu cérebro a cada instante.
antes que pudesse sequer abrir a boca para que as cordas vocais pudessem funcionar como deve ser, ele antecipou-se. e disse no mais perfeito dos sons "cada dia que vives é como um presente, não como um direito que se adquere, aproveita cada dia da tua vida como fizeste hoje, não deixes nada por dizer ou por fazer, desliga-te dos teus medos e não leves a vida como uma mera passagem pois o primeiro passo que podes dar em relação a algo, pode ser o teu maior salto."
bem, eu fiquei super espantada com o ar com que o velho dizia aquilo, dizia aquilo como se estivesse mesmo morto. morto de consciência mas não fisicamente, tentava perceber o que se tinha passado mas a face dele não me deixou tirar qualquer conclusão que fosse. e daí, guardei tudo o que tinha acabado de ouvir, e segui em frente na minha longa caminhada até à paragem de autocarro.
pensei naquelas palavras sábias que o sem-abrigo me tinha dito, até que um desses pensamentos me assombrou a mente de tal forma que o medo quase me abalou. e se hoje fosse o meu último dia? então amanhã seria tarde demais, não teria se quer tempo para me despedir do passado. e tu, poderias dizer adeus a ontem? viverias cada momento como se fosse o último? deixarias as tuas velhas fotos no passado? doarias cada cêntimo que tens? ligarias para os amigos que nunca vês? lembrarias-te das velhas recordações? perdoarias os teus inimigos? irias ter com aquela tal pessoa que realmente amas? boas perguntas.
acho que ir contra o que é natural deveria ser um modo de vida, ser-se original. não temos tempo para passar a vida a imitar outras pessoas, temos de seguir o nosso rumo, da nossa maneira de acordo com aquilo que somos. e o que vale a recompensa, vale sempre o caminho e a luta que levaste até lá. cada segundo da tua vida conta pois não há segundas oportunidades. então vive a vida tal e qual tu, não poderás vivê-la duas vezes. nunca deixes a tua própria vida à deriva.
e estas foram as conclusões às quais eu cheguei no momento em que o autocarro me levou de volta a casa.
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