quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A tua luz
sim, essa mesmo. aquele brilho que eu vejo dentro de ti, finalmente se tinha transformado em algo que eu podia ver mais habitualmente, e é de tanto hábito que a tenho observado que parece que já a consigo tocar.
em plena noite de Verão, o meu corpo resolveu fazer greve de sono. eram 3h da manhã, e os meus olhos, já negros de tanto pensamento, não arranjavam maneira de se fechar para uma longa noite de sonho, ou talvez para mais uma maré de fantasias. nem isso ele queria ver à frente, admitindo que via mesmo com os olhos a transbordar água. água pura. insónias, vinham cerca de 1 vez por mês e não me largavam enquanto não me vissem a andar pelas ruas como uma autêntica zombie. então, já farta da música que passava na rádio, como de costume fui comer mais uma taça de cereais. era bom e eu gostava, a cura que eu precisava para adormecer na minha cama quentinha e aconchegante (pois mesmo estando 30ºC de noite, eu não consigo dormir sem um cobertor a enrolar-me como um saboroso crepe chinês). e lá fui eu, aqueci o leite e despejei sem mais nem menos, um turbilhão de almofadas de chocolate para dentro da taça amarela, a minha taça de cereais.
não sabendo o que fazer depois de entornar literalmente o leite agora achocolatado pela goela abaixo, decidi mover não só o meu corpo mas também a minha mente já um pouco cansada, até à sala para contemplar as estrelas. e foi aí que descobri a tua luz. enquanto correspondia cada motivo para te adorar a cada estrela que pudesse encontrar, reparei que havia uma estrela com a luz mais reluzente de todas, a que mais se destacava. a essa dei o meu motivo mais forte "porque sim." disse eu. por alguns momentos ainda pensei que fosse mais um cometa a viajar por entre as órbitas dos vários planetas. depois, também cheguei a imaginar que pudesse ser um meteoro a atravessar a nossa camada protectora. mas entre todas estas teorias, só uma escolhi. a tua teoria. a teoria que defende que a tua luz é a mais forte de todas, a mais bela, a mais difícil e longínqua de alcançar mesmo ela estando tão perto de mim.
tudo isto aconteceu antes do nosso tudo. isto é, aconteceu mesmo antes de eu própria conseguir distinguir o amor que sentia por ti e a saudade de uma pessoa que nunca tinha visto, como uma certa previsão da nossa história. ainda hoje, quando não consigo adormecer, vou para a sala e sento-me a contar as estrelas, e quando vejo a tua estrela e ela cintila para mim como se dissesse "olá outra vez." sorrio, pois sei que é como um regresso ao desconhecido, ao meu desconhecido antes de perceber que te amava.
espero um dia te poder mostrar o quanto brilhas, e o quanto o nosso amor reluzia quando nos queríamos um ao outro.
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