quinta-feira, 2 de junho de 2011

She's out

   Uma vez, uma menina, alta e morena, olhos cor da escuridão e lábios cor cereja, magra e sonhadora, por vezes pouco calma mas bondosa, vivia numa aldeia, pequena e rodeada de solidão, em que sofria todos os dias, chorava lágrimas infinitas todas as noites, era bonita mas infeliz, tinha grandes amigos mas esses não chegavam para fazer nascer a felicidade nos seus olhos.
   Teria um dia encontrado a felicidade, mas hoje desapareceu com o tempo, queria e desejava voltar a ser feliz novamente, mas era quase impossivel de realizar esse desejo pois o que a mantia viva era o passado, esse passado quem em tempos fora aplausivel mas que agora, olhando para trás, parece-se com um passado frio e arrogante, como que um erro que nunca deveria ter cometido, algo em que deveria ter aberto os olhos mais cedo pois agora seria tarde demais. Um facto que ela desejava ter esclarecido: ela não vivera no passado mas sim o passado vivera nela. Ela já teria pensado em tudo que podesse acabar com tal tristeza, mas não teria encontrado a solução perfeita. Pensou, pensou e voltou a repensar, mas não chegou a nenhuma conclusão concreta.
   Durante esse tempo gasto no pensamento, ocorreu-lhe uma ideia. Teria finalmente encontrado a forma ideal para acabar com qualquer tristeza e viajar para um lugar bem melhor do que no que estava a viver. O suicidio. Não teria mais forças para conseguir suportar tanta infelicidade.
   Pensou, pensou e voltou a repensar. Não queria que isto mostrasse uma certa desistência da sua parte uma vez que aquela vida era uma real subcarga.
   Achou uma boa ideia e não teve mãos a medir, recolheu tudo o que podesse encontrar de fatal: comprimidos, materiais cortantes... e o mais importante, a coragem e a tristeza que a levava a fazer tal coisa. Tudo o que se lembrou estava em cima da sua pobre cómoda. Escreveu uma carta de despedida para os familiares e outra para os amigos mais próximos.
   Não desejava partir daquele jeito mas porém, não teria encontrado uma forma melhor de por fim a absolutamente tudo. É certo de que os problemas venceram-na mas, em contra-partida, os seus problemas não eram adequados à sua idade.
   Beatriz tinha 16 anos, pesava 34 kg e media cerca de 1,65 cm, sofria de anorexia e era orfã de pai, sobredotada de uma inteligencia acima da média, adorava a música devido ao seu falecido pai violinista e à sua falecida avó materna vocalista de uma banda de Jazz. Suicidou-se com uma navalha espetada no coração, infeliz por não se achar alguém, feliz por se livrar de tantos problemas em tão poucos segundos.

1 comentário:

  1. Se há alguém que realmente tem jeito para isto és tu , adoro o texto xana <3

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