terça-feira, 1 de março de 2011
Com o coração
um dia, uma noite, alguém estará do outro lado para me ouvir, para me ver, para me amar. mas até lá espero, pacientemente. não sei bem o que fazer, dou voltas e voltas, tento por remendos para que os dias possam passar mais depressa, torna-se difícil mas eu sei que consigo, ou talvez não, não sei. quando me estou a arranjar, vou à minha caixa de acessórios e coloco o meu sorriso como uma mascara que se coloca no Carnaval, mas a diferença é que no Carnaval estamos alegres sem ou com mascara e no meu dia a dia estou "feliz" só quando coloco aquele sorriso que todos vêm durante o dia. não percebo, a sério que não, tento me exprimir da maneira que para mim se torna mais fácil - através da escrita - mas com um simples sopro as palavras esvoaçam-me e fogem, e cá fico a tentar escolher palavras para descrever o que sinto, mas nada se compara com aquelas que eu soprei e deitei fora. como com o que faço com muita coisa, vejo e não me agrada, então assopro mas na realidade era a melhor maneira, forma, sentido e verdade exprimida duma originalidade tão única como as palavras, aquelas que todos escrevem todos os dias mas não ligam, tal como eu. Não dou valor a muitas das coisas que faço mas quando faço uma avaliação espiritual apercebo-me que errei, e tento colocar remendos, outra vez. e aí penso, a minha vida nada mais é do que um trapo de quinze anos, com remendos por vezes, uns em cima dos outros e ao lado, cheio de mágoa, dor e lágrima, e que como desenho, têm um falso sorriso. agora digam-me, mesmo assim vale a pena acabar com tudo? em breves momentos acaba-se algo que construímos inconscientemente durante quinze anos - a nossa vida.
pois ela não nos desilude, nós é que a desiludimos. pois ela não é traiçoeira, nós é que atraiçoamos. e ela não é difícil, nós é que complicamos. mas a verdade que seja dita: somos seres humanos, não temos culpa. olho para o que escrevo e acho que o inicio nada tem a ver com o que escrevo neste momento, e olho para a tecla do apagar e pergunto-me se apago ou não, mas aí o meu coração pergunta me: eras capaz de apagar o que sentes com um mero toque, ou deixá-lo fluir para que quando acabares te sintas melhor? riu-me para o que acabei de escrever e penso que sou mesmo louca. o meu coração fala comigo. a minha consciência diz que sei o que faço. mas as minhas mãos não param, letra após letra, escrevem frases inteiras cheias de mágoa, dor, lágrimas, a sua pontuação é tão forte quanto a raiva que sinto e quando faço uma pausa para pensar o que escrevo penso em pequenos segundos que nada mais estas frases significam do que o que eu sinto transposto em palavras que já há muito existem . e no auge da minha inspiração, um telefonema interrompe-me e agora com medo de prosseguir pois não sei se voltarei a escrever tão bem como estava antes da chamada, procuro dentro de mim, procuro por algo que precise de deitar fora, procurando cada vez mais fundo cheguei ao fim. ao fim de um vazio que tenho e não sei como preenchê-lo. talvez me faça falta o rapaz que estará do outro lado a ouvir me e a ver me, mas principalmente a amar-me. não sei porquê, juro que não sei porquê este vazio, eu não tenho necessidade de me sentir assim. tenho tudo o que mais alguma vez poderei exigir, tenho a minha melhor amiga e o meus verdadeiros amigos que são tudo, tenho a minha família que é mais do que a minha própria vida e tenho me a mim que apesar dos meus defeitos, amo-me mais do que alguém me poderá amar .
e agora que me sinto 30 vezes melhor, vejo que acabei de escrever o maior texto que até hoje tinha escrito, em forma de narrativa. é epopeia da minha pequena e formidável vida, cheia de grandes feitos e mais do que musas para me inspirarem. e nem precisei de não ter um olho de pala ou versos formidáveis como Camões, nem precisei de ser Aristóteles para pensar grandes formas de escrever. bastou-me uma única e grande ferramenta para além das minhas mãos sem controlo quando escrevo, o meu coração. pois ninguém escreve sem o coração, sem a sua alma, sem a sua essência, é isso que torna um texto tão bonito, tão único. não são o conjunto de frases em verso ou em prosa mas sim a emoção que o autor nelas as pôs. e isso é como a vida, quanta mais emoção colocar-mos nos grandes e pequenos momentos da nossa vida, mais bonita ela ficará, mais sentida ela ficará, mais nossa ela ficará. por fim, com um orgulho enorme naquilo que escrevi, olho para a paisagem de lojas e casas que me rodeia e apercebo-me que amanhã, quando acordar, me sentirei muito melhor. não pelo que escrevi, mas como o escrevi.
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tens q me pagar por me fazeres ler isto tudoo (a)
ResponderEliminaramor mais LINDO era impossivel (;
amooooo esse teu exprimir de emoções em palavras *o* ahah $: